Você monta o servidor, chama a galera, e vem a pergunta que estraga o convite: "mas eu jogo no celular, dá pra entrar?"
Na configuração padrão, não dá. Java e Bedrock são duas edições diferentes do Minecraft, com protocolos de rede diferentes. Um cliente Bedrock não conversa com um servidor Java — ele nem enxerga o servidor na lista.
A boa notícia é que isso se resolve com dois programas gratuitos e de código aberto, sem servidor duplicado e sem obrigar ninguém a comprar a outra edição.
O que é cada peça
São dois projetos do mesmo grupo, e eles fazem coisas diferentes. Instalar um sem entender o outro é a origem de quase toda a confusão.
| Faz o quê | Sem ele, o que acontece | |
|---|---|---|
| Geyser | Traduz o protocolo: o cliente Bedrock fala Bedrock, o servidor continua falando Java | O celular nem encontra o servidor |
| Floodgate | Deixa o jogador Bedrock entrar sem ter uma conta Java paga | O jogador encontra o servidor, mas é barrado no login |
Resumindo: Geyser abre a porta, Floodgate deixa entrar. Você quase sempre vai querer os dois.
Onde instalar
Depende do que o seu servidor roda. Os dois projetos seguem a mesma lógica:
| Seu servidor | Onde vai o arquivo |
|---|---|
| Paper, Spigot, Purpur | plugins/ |
| Fabric, NeoForge | mods/ |
| Velocity, BungeeCord (proxy) | plugins/ do proxy |
| Nenhum dos acima | Geyser Standalone, rodando ao lado |
Se você usa proxy, instale no proxy — não em cada servidor atrás dele. Em rede com Velocity ou BungeeCord, o Geyser fica na borda, que é por onde o jogador Bedrock chega.
Não sabe o que o seu servidor roda? Abra ele no painel e olhe o tipo. Paper, Purpur e Spigot são plugins; Forge, NeoForge e Fabric são mods.
A porta 19132, e por que ela derruba tanta gente
Esse é o ponto que mais gera "instalei e não funcionou".
O Minecraft Java usa a porta 25565/TCP. O Bedrock usa a porta 19132, e — aqui está a pegadinha — em UDP, não em TCP.
São três consequências práticas:
- Liberar 19132 em TCP não adianta nada. Precisa ser UDP.
- A porta do Bedrock é separada da porta do Java. As duas ficam abertas ao mesmo tempo, no mesmo servidor.
- Se você hospeda em casa, o roteador precisa encaminhar 19132/UDP. Se está atrás de CGNAT, essa porta não vai abrir — o problema é o mesmo que já existe com a 25565.
No nosso painel de jogos, a porta que o servidor usa aparece na tela do próprio servidor. Copie de lá em vez de supor: o número pode não ser o padrão, e o endereço muda de servidor para servidor.
Configurando: os dois ajustes que importam
Depois de subir os arquivos e reiniciar, o Geyser cria o config.yml. O caminho depende da plataforma:
- Paper/Spigot:
plugins/Geyser-Spigot/config.yml - Fabric/NeoForge:
config/Geyser-Fabric/config.yml - Standalone:
config.ymlna pasta do Geyser
1. auth-type
O auth-type aceita três valores: floodgate, online e offline. Para o cenário deste guia — Bedrock entrando sem conta Java — ele precisa ficar assim:
auth-type: floodgate
Se o Floodgate estiver instalado e o auth-type continuar em online, o jogador Bedrock é recusado no login. É o sintoma clássico de "instalei os dois e mesmo assim não entra".
2. A chave do Floodgate
O Floodgate gera um arquivo key.pem na pasta de configuração dele. Ele é o que autoriza a conta Bedrock a passar pela autenticação do Java.
Nunca publique esse arquivo. A documentação do próprio projeto é enfática: quem tem a
key.pemconsegue burlar a autenticação do seu servidor. Ela não vai para o GitHub, não vai para print no Discord e não vai em pasta pública.
Se você tem uma rede com proxy, a mesma key.pem precisa estar nos servidores de trás — é assim que eles confiam em quem o proxy já autenticou.
Testando
O Geyser traz um comando que testa a conexão de fora, do jeito que o jogador veria:
geyser connectiontest <endereço> <porta>
Rode com o endereço e a porta que você entrega aos jogadores. É bem mais confiável que pedir para um amigo tentar entrar e ficar no escuro quando falha.
Do lado do jogador Bedrock, a entrada é por Servidores → Adicionar servidor, com o endereço e a porta 19132 (ou a que o seu painel mostrar).
O que não fica igual
Aqui vale sinceridade, porque promessa demais gera ticket depois. O Geyser traduz protocolo — ele não transforma um cliente em outro. Então:
- Mod de cliente Java não existe no Bedrock. Se o seu servidor exige que o jogador instale mods, o jogador Bedrock não tem como acompanhar.
- Interface de plugin pode sair estranha. Menu feito com recursos específicos do Java às vezes desenha diferente, ou não desenha.
- Pack de recursos funciona de forma diferente nas duas edições.
- Anticheat pode reclamar. Movimento traduzido não é idêntico ao nativo; vale revisar a sensibilidade depois de ligar o crossplay.
Servidor de sobrevivência, minigame e PvP normalmente atravessam bem. Servidor de modpack pesado é onde o crossplay faz menos sentido.
Vale a pena?
Se o seu servidor é para jogar com amigos, vale quase sempre: você dobra quem consegue entrar sem dobrar o custo. O celular e o console deixam de ser desculpa.
O que muda no dimensionamento é que mais gente junta significa mais RAM e mais CPU — não porque o Bedrock pese mais, mas porque agora cabe mais gente no mesmo mundo. Se você já andava no limite, é a hora de olhar o plano.
Nossos servidores de Minecraft ficam no Brasil, e dá para testar antes de contratar. Se preferir montar tudo na mão, com proxy e vários servidores atrás, nossos VPS no Brasil te dão a máquina inteira.